Traduzir regras exige mais que substituir palavras. Termos técnicos, conectores e referências podem mudar o alcance. Quando duas versões existem, o documento deve indicar se ambas têm igual função ou qual prevalece em divergência.
Passo 1: identifique os idiomas
Registre o idioma original e o da tradução. Não presuma originalidade pela posição na página.
Confira emissor e versão.
Passo 2: procure cláusula de prevalência
Alguns documentos dizem qual texto orienta em caso de diferença. Essa cláusula deve ser citada com seu escopo.
Não invente uma preferência editorial.
Passo 3: alinhe versões
Confirme que data, numeração e anexos correspondem. Uma tradução antiga não deve ser comparada como se fosse a nova redação.
Monte pares de seções.
Passo 4: preserve termos definidos
Um conceito técnico precisa ser consistente em todo o texto. Sinônimos elegantes podem criar categorias diferentes.
Mantenha uma tabela terminológica.
Passo 5: detecte falsos cognatos
Palavras parecidas entre idiomas podem ter sentidos distintos. Consulte o contexto e a definição institucional.
Não escolha a tradução apenas pela aparência.
Passo 6: confira os verbos
Permissão, obrigação e possibilidade usam intensidades diferentes. Uma tradução que troca “pode” por “deve” altera a norma aparente.
Registre a divergência.
Passo 7: examine conectores
“E”, “ou”, “salvo” e condições negativas controlam a lógica. Pontuação também pode reorganizar uma lista.
Teste requisitos cumulativos e alternativos.
Passo 8: compare números
Datas, decimais, moedas e unidades seguem convenções locais. A forma muda, mas o valor e o período precisam permanecer.
Evite arredondamento não indicado.
Passo 9: revise referências
Números de artigos e nomes de anexos devem apontar ao mesmo destino. Traduções podem manter título original entre parênteses para precisão.
Abra a referência.
Passo 10: marque texto não traduzido
Anexos e imagens podem permanecer em outro idioma. Não diga que o conjunto está completo se partes relevantes faltam.
Declare a limitação.
Passo 11: diferencie tradução oficial
Uma tradução publicada pela instituição e uma versão comunitária têm funções distintas. Ambas podem ajudar, mas a atribuição deve ser clara.
Não apresente autoria externa como oficial.
Passo 12: resolva divergências com cautela
Liste as redações e procure esclarecimento institucional. Não esconda o conflito escolhendo a frase mais favorável.
Situações concretas podem exigir tradutor ou orientação qualificada.
Revisão independente
Peça a outra pessoa que compare trechos de maior consequência sem receber a primeira tradução como resposta. A revisão cega ajuda a revelar escolhas terminológicas automáticas.
Registre qual redação foi mantida, a justificativa e a fonte consultada, sem apresentar a escolha editorial como interpretação oficial.
Checklist editorial
- Idiomas e versões.
- Cláusula de prevalência.
- Glossário técnico.
- Verbos e conectores.
- Números.
- Referências.
- Partes ausentes.
Veja as correções.
Conclusão
Tradução de termos é uma camada de interpretação controlada. A política editorial e o glossário ajudam a preservar conceitos sem prometer equivalência perfeita.